domingo, 29 de julho de 2018

Just The way you look tonight. 🌎🌐

Por que eu tive que ter esse sonho? Reacender uma paixão quase impossível que, como as outras, já estava caindo em esquecimento?
Foi muito lindo, puro e feliz. Agora estou o dia inteiro escutando Rod Stewart com uma dor de cotovelo infeliz... Afinal ele está noivo de outra.😒

Quem sabe daqui a alguns meses, anos... Ou até mesmo em outras vidas, outra dimensão...🌌 


(...)
With each word your tenderness grows

Tearing my fears apart

And that laugh that wrinkles your nose

Touches my foolish heart

Yes you're lovely, never ever change

Keep that breathless charm 
Darling please arrange it?'
Cause I love you

Just the way you look tonight.


Musica bônus:


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Quando me disseram que você partiu



Como é ter?
...
Como será?
...
Pra mim, essas perguntas nunca serão respondidas.
Quando tomei consciência por volta de uns 5 anos de idade, não conseguia acreditar que, de toda uma vida que iria viver dali em diante eu teria que aceitar e conviver com o fato de ter perdido meu pai precocemente. Me sentia diferente dos meus amigos, imaginando 1001 possibilidades de mudança em minha vida caso esse fato fosse alterado.
Uma vez quando já estava bem maior recebi algumas visitas de alguns amigos de trabalho do meu pai e quando eles falavam dele, parecia que ele ia aparecer de repente, como se voltasse de uma longa viagem. Mas a vida não é bem assim.
Não é fácil conviver com as 1001 possibilidades. Logo eu que amo tanto, conviver com 1 amor a menos. Sinto que a natureza ou seja lá no que vocês acreditam, caso exista, nunca foi generosa comigo.



Aprendi a conviver desde cedo, com a dor da saudade.

O bobo da corte.


Então há uns meses desde que passei em um concurso, estava me sentindo bem... Foi um UP na minha vida. Mas ultimamente a sensação de fracasso veio de maneira silenciosa, aos poucos e está me quebrando de novo. Resolvi retroceder, encontrar os elos que formaram minha identidade emocional atual. Não, não foi ha mais ou menos 5, 6 anos que eu desmoronei. Assim como a sensação de fracasso vem devagar, nossa autoestima é destruída devagar. Desde pequena minha autoestima foi destruída pela minha própria família, que não me ensinaram ter orgulho de como sou. Quando meus primos chegavam de outra cidade, eu era sempre o motivo da chacota, dos cabelos ruins, gorda e da pele escura feia. Quando eles falavam alguma chacota todos riam, achavam lindo uma criança de 6 anos por aí fazendo esses comentários. É e eu virava o bobo da corte.

Por que?

Seríamos nós uma experiência perversa de um universo muito maior? Será que há brigas e protestos contra esses "cientistas", "antropologos" vulgo nossos criadores para pararem com essa exploração de culturas semelhantes menos  desenvolvidas em laboratório?

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Planeta Terra vale a pena?



Então me diz: por que que você quer voltar?
Você não tá feliz onde você está?
Observando tudo a distância
Vendo como a Terra é pequenininha
Como é grande a nossa ignorância
E como a nossa vida é mesquinha
A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço
De tanto lutar por algum espaço
E você, com todo esse espaço na mão
Querendo voltar aqui pro chão?!
Ah não, meu irmão... qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?

Astronauta - Gabriel O Pensador/lulu Santos

sábado, 18 de novembro de 2017

Ao senhor Tempo que não gosta de bagunça.

UMA PEQUENINA MUDANÇA IMPREVISÍVEL E APARENTEMENTE INOFENSIVA NO INÍCIO DE UM EVENTO QUALQUER PODE TRAZER CONSEQUÊNCIAS ENORMES E ABSOLUTAMENTE DESCONHECIDAS PARA UM FUTURO

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Na escuridão Miserável

Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente, encostada ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro: 
-O que foi, minha filha? - perguntei, naturalmente pensando tratar-se de esmola.
-Nada não senhor - respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
-O que é que você está me olhando aí?
-Nada não senhor - repetiu. - Esperando o bonde...
-Onde é que você mora?
-Na Praia do Pinto.
-Vou para aquele lado. Quer uma carona?
Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
-Entra aí, que eu te levo.
Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
-Como é o seu nome?
- Teresa.
- Quantos anos você tem, Teresa?
-Dez.
-E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
-A casa da minha patroa é ali.
-Patroa? Que patroa?
Pela sua resposta pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite. 
-Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
-Você já jantou?
-Não. Eu almocei.
-Você não almoça todo dia?
-Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida para mim.
-E quando não tem?
-Quando não tem, não tem - e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos - um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês.
-Mas não te dão comida lá? - perguntei, revoltado.
- Quando eu peço eles me dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
-E quanto você ganha?
-Mil cruzeiros.
-Por mês?
Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro, tomado de indignação. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
-Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? - perguntei ainda, enquanto o carro,
ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar: 
-Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu à mamãe pra eu trabalhar na casa dela então mamãe deixou porque mamãe não pode ficar com os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, brigado.
Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto. 

Fernando Sabino
(A companheira de viagem. 4.ed. Rio de Janeiro, Record, 1977. p.135-7).