sábado, 4 de setembro de 2021

Nossa casa (lar) é o nosso "Bunker".

 Não sei se vocês já jogaram Left for dead, ou algum jogo parecido. |Caso não, assista algum vídeo sobre o jogo para entender melhor a analogia. Mas voltando ao assunto. Quando começamos esse jogo, nos estamos em um bunker, que é como um quarto de segurança contra os zumbis onde tem alimento, comida, remédios, munição e armas. O bunker é uma utopia comparado ao mundo fora dele. Lá fora é selva, escassez assombra, cheio de zumbis prontos para te atacar e você deverá passar por essa selva até encontrar o outro bunker e se sentir segura. Bunker's são raros, difíceis de encontrar, vc não encontrará na primeira esquina. Você deverá explorar bem o local, reconhecer um ataque e desviar, evitar armadilhas e falsas pessoas que na verdade são zumbis prontos pra te atacar. 

E o pior de tudo, a vida real é assim. Não precisamente você tem que ser rica, mas se você vive em um ambiente calmo, tem seu pai ou sua mãe que convivem bem e mantém uma boa relação de amizade com sua família e você tem acesso a remédios, educação e comida na mesa todos os dias, você já é sim uma privilegiada. Sua casa é esse bunker. E você não vai encontrar outro bunker em qualquer esquina, nem muito menos alguém vai te deixar entrar no bunker dele sem algo em troca. 

Quanto mais nós somos protegidos pelos nossos pais, mais visão distorcida sobre a realidade do mundo nós temos, e isso pode ser prejudicial como foi para mim. Não é culpa dos seus pais nem culpa sua, provavelmente seus pais assim como eu queiram te proteger do mundo e criar você como uma boa pessoa. Mas isso está criando pessoas "bobas", que são muletas para as "espertas" que conhecem a selva e faz da selva sua sobrevivência e utilizam para se dar bem e se aproveitar dessas presas fáceis.

 Então adolescentes ou adultos que ainda não saíram da adolescência, criem "a casca". Reconheçam criticamente o mundo em que vocês vivem. 



quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O que é o DICA DE SOBREVIVÊNCIA NO PLANETA TERRA?

Simples! Como não começar a vida se fudendo. Como passar da infância para a adolescência e da adolescência para a fase adulta sem se fuder, ou pelo menos, sofrer o mínimo de dano.
Vou contar um pouco da minha história. Não se ache, achando muito espertona ou que é madura. Você assim como eu pode cair nessas ciladas, talvez não igualmente, as vezes será mais fácil corrigir, as vezes pode ficar bem pior pra você, eu tive meus privilégios que me permitiram crescer.

Dicas de sobrevivência do planeta Terra - Para mulheres especialmente na fase adolescência ~ Adulta. Lição 1

Para essas dicas sobre a vida que eu vou dar daqui em diante, peço-te que confie e acredite em mim, que eu seja sua exceção, porque como vou falar abaixo, nunca confie em ninguém e nem acredite 100% em ninguém.  Aqui é a realidade nua e crua. Não costumarei postar twittes, mas esse é pura verdade. 




Lição número 1: Não confie nem acredite 100% em ninguém e isso inclui seus pais, namorado, melhores amigos e demais familiares. 
Não duvidem do que ele pode fazer, temos livre arbítrio e esse livre arbítrio vale para tudo, até para quem quer ser pau no c*. E pau no c* nesse mundo é o que mais tem. Não duvide da capacidade que o outro tem de magoar você, de te abandonar em momentos difíceis ou te por em uma enrascada. Acredite, a maioria, maioria mesmo, fará alguma sacanagem com você se isso for fazer ele se sair bem em algo ou obter alguma vantagem. 

Dica: Seja uma pessoa boa, não tire vantagem de ninguém e assim tornamos o mundo melhor. Porém não seja besta, só assim malandro não se cria. Principalmente nós mulheres que somos educadas para sermos sempre PERDÃO, para que sejamos sempre BOAZINHAS e SALVAR ou PERDOAR as cagadas dos outros. Que esse tempo acabe e que não sejamos muletas.

Não gosto de generalizar, mas não caia no conto do ☃ floquinho de neve especial, depois explicarei novamente o que significa esse termo especialmente para as mulheres.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

À procura do que nunca chega.

 Não é nada fácil nossa estadia aqui no planeta terra.
Parece que algo sempre tende a dar errado, o medo nos acompanha e eu não gosto de contratempos.
Passamos os incontáveis dias à procura da felicidade, das realizações, da oportunidade que nunca vem... Já parou pra pensar que a FELICIDADE, REALIZAÇÃO, DINHEIRO, PAZ E OPORTUNIDADE é algo raro e que a maioria de nós morreremos sem ter ao menos 2 desses que citei. Somos seres esperançosos, contamos com o imprevisível, contamos sempre com o milagre que irá nos salvar... Por que? 
Não me sinto muito bem sabendo que, Pode até ser que eu entre nessa cota dos super realizados, sabendo que tem milhares de pessoas que sofrem, que sentem na pele a crueldade da "benção" da vida.
 Sinto como se eu fosse um ser humano especial e que existem poucos como eu no mundo. Parece prepotente mas infelizmente é verdade. Poucas são as pessoas que sentem empatia, que conseguem absorver os problemas dos outros e se colocar no lugar dele. Sinto-me deslocada nesse mundo, como se eu tivesse parado aqui por um erro, cercada de gente egoísta, hipócrita, falsos moralistas, interesseiros e sem compaixão. 
Não que eu esteja me achando, não que eu nunca tenha pecado, mas esses últimos anos tenho me sentido com uma alma mais leve, com os sentidos elevados.

Eis que sempre vem à minha mente essa pergunta: Por que o nosso mundo é assim?
                                   
                          Escrito no dia 19/07/2017 - estava passando por ma fase de redescoberta.





Mal interpretada - para de se humilhar pra macho branco e feio!!


Desculpa se eu invadi seu espaço, afinal você é aquariano. Eu fiquei muito afim de você, mas vc tinha namorada e eu não sou de lutar para derrubar outra mulher. E também acho que não daríamos certo com tantas inconstâncias depressivas e ansiosas de minha pessoa. Eu só quero me libertar dessa paixão que nunca existiu e nem é recíproca e que me consome por 3 anos. Eu estou quase curada da minha depressão, só falta deixar os amores do passado de lado. 

Eu sou ridícula! PUtS 

Escrevo para mim, como um diário. Quem quiser que ache. Homem não se importa com isso mesmo...



segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Bons rumores...

 Aos poucos a vida vai se ajeitando,
saudade desafrouxando e tudo melhorando.
 Lágrimas já secaram, a vontade de vencer já domina o meu ser.
E cada vez mais a vontade de voltar no tempo vai embora...
 Qualquer dia irei dizer: - tchau viajante! 🙋‍♀️ Não me importo em não ter conhecido você, o tempo foi meu amigo... Bem mais fiel que você. Te fiz tantas cartas, mas nem me deu ouvidos... será que sou teu inimigo?

domingo, 29 de julho de 2018

Just The way you look tonight. 🌎🌐

Por que eu tive que ter esse sonho? Reacender uma paixão quase impossível que, como as outras, já estava caindo em esquecimento?
Foi muito lindo, puro e feliz. Agora estou o dia inteiro escutando Rod Stewart com uma dor de cotovelo infeliz... Afinal ele está noivo de outra.😒

Quem sabe daqui a alguns meses, anos... Ou até mesmo em outras vidas, outra dimensão...🌌 


(...)
With each word your tenderness grows

Tearing my fears apart

And that laugh that wrinkles your nose

Touches my foolish heart

Yes you're lovely, never ever change

Keep that breathless charm 
Darling please arrange it?'
Cause I love you

Just the way you look tonight.


Musica bônus:


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Quando me disseram que você partiu



Como é ter?
...
Como será?
...
Pra mim, essas perguntas nunca serão respondidas.
Quando tomei consciência por volta de uns 5 anos de idade, não conseguia acreditar que, de toda uma vida que iria viver dali em diante eu teria que aceitar e conviver com o fato de ter perdido meu pai precocemente. Me sentia diferente dos meus amigos, imaginando 1001 possibilidades de mudança em minha vida caso esse fato fosse alterado.
Uma vez quando já estava bem maior recebi algumas visitas de alguns amigos de trabalho do meu pai e quando eles falavam dele, parecia que ele ia aparecer de repente, como se voltasse de uma longa viagem. Mas a vida não é bem assim.
Não é fácil conviver com as 1001 possibilidades. Logo eu que amo tanto, conviver com 1 amor a menos. Sinto que a natureza ou seja lá no que vocês acreditam, caso exista, nunca foi generosa comigo.



Aprendi a conviver desde cedo, com a dor da saudade.

O bobo da corte.


Então há uns meses desde que passei em um concurso, estava me sentindo bem... Foi um UP na minha vida. Mas ultimamente a sensação de fracasso veio de maneira silenciosa, aos poucos e está me quebrando de novo. Resolvi retroceder, encontrar os elos que formaram minha identidade emocional atual. Não, não foi ha mais ou menos 5, 6 anos que eu desmoronei. Assim como a sensação de fracasso vem devagar, nossa autoestima é destruída devagar. Desde pequena minha autoestima foi destruída pela minha própria família, que não me ensinaram ter orgulho de como sou. Quando meus primos chegavam de outra cidade, eu era sempre o motivo da chacota, dos cabelos ruins, gorda e da pele escura feia. Quando eles falavam alguma chacota todos riam, achavam lindo uma criança de 6 anos por aí fazendo esses comentários. É e eu virava o bobo da corte.

Por que?

Seríamos nós uma experiência perversa de um universo muito maior? Será que há brigas e protestos contra esses "cientistas", "antropologos" vulgo nossos criadores para pararem com essa exploração de culturas semelhantes menos  desenvolvidas em laboratório?

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Planeta Terra vale a pena?



Então me diz: por que que você quer voltar?
Você não tá feliz onde você está?
Observando tudo a distância
Vendo como a Terra é pequenininha
Como é grande a nossa ignorância
E como a nossa vida é mesquinha
A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço
De tanto lutar por algum espaço
E você, com todo esse espaço na mão
Querendo voltar aqui pro chão?!
Ah não, meu irmão... qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?

Astronauta - Gabriel O Pensador/lulu Santos

sábado, 18 de novembro de 2017

Ao senhor Tempo que não gosta de bagunça.

UMA PEQUENINA MUDANÇA IMPREVISÍVEL E APARENTEMENTE INOFENSIVA NO INÍCIO DE UM EVENTO QUALQUER PODE TRAZER CONSEQUÊNCIAS ENORMES E ABSOLUTAMENTE DESCONHECIDAS PARA UM FUTURO

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Na escuridão Miserável

Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente, encostada ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro: 
-O que foi, minha filha? - perguntei, naturalmente pensando tratar-se de esmola.
-Nada não senhor - respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
-O que é que você está me olhando aí?
-Nada não senhor - repetiu. - Esperando o bonde...
-Onde é que você mora?
-Na Praia do Pinto.
-Vou para aquele lado. Quer uma carona?
Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
-Entra aí, que eu te levo.
Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
-Como é o seu nome?
- Teresa.
- Quantos anos você tem, Teresa?
-Dez.
-E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
-A casa da minha patroa é ali.
-Patroa? Que patroa?
Pela sua resposta pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite. 
-Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
-Você já jantou?
-Não. Eu almocei.
-Você não almoça todo dia?
-Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida para mim.
-E quando não tem?
-Quando não tem, não tem - e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos - um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês.
-Mas não te dão comida lá? - perguntei, revoltado.
- Quando eu peço eles me dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
-E quanto você ganha?
-Mil cruzeiros.
-Por mês?
Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro, tomado de indignação. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
-Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? - perguntei ainda, enquanto o carro,
ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar: 
-Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu à mamãe pra eu trabalhar na casa dela então mamãe deixou porque mamãe não pode ficar com os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, brigado.
Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto. 

Fernando Sabino
(A companheira de viagem. 4.ed. Rio de Janeiro, Record, 1977. p.135-7).

segunda-feira, 18 de setembro de 2017


"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las... 
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!".
(Das Utopias-Mário Quintana)

Equal butterfly


Hoje senti o que há bastante tempo não sentia.
Talvez esteja me precipitando muito, a solidão faz isso...
Senti as famosas borboletas no estômago e fiquei sorrindo sem razão.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Não me deixes... viajante!



Debruçada nas águas dum regato

A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
"Ai, não me deixes, não!
"Comigo fica ou leva-me contigo
"Dos mares à amplidão;
"Límpido ou turvo, te amarei constante;

"Mas não me deixes, não!"



Gonçalves Dias (1823-1864)

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Sobre voos e sonhos...

“Nós vivemos na superfície, no nível horizontal, e no entanto, — e por isso — nós sonhamos. Animais rasteiros, às vezes chegamos tão longe quanto os deuses. Alguns voam por meio da arte, outros da religião; a maioria do amor. Mas quando voamos, podemos cair. Existem poucos pousos suaves. Podemos nos ver batendo no chão com violência, arrastados na direção de uma estrada de ferro estrangeira. Toda história de amor é uma história de sofrimento em potencial. Se não a princípio, então depois. Se não para um, então para o outro. Às vezes para ambos.”

Em: Altos voos e quedas livres, Julian Barnes, tradução de Léa Viveiros de Castro, Rio de Janeiro, Rocco: 2014, pp: 44-45.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"Todas as coisas fazem sentido para mim, e o que não tiver lógica eu descubro que, lá no fundo, tem."

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Frase motivacional

Sua derrota é a alegria do inimigo. 
Nunca permita que ele fique feliz,
se ficar, que seja por um átimo de segundos!
                                      Natália Silva

quarta-feira, 19 de julho de 2017

De quem são os meninos de rua?

Hoje, vi uma reportagem onde moradores de rua estariam sendo acordados a jatos de água na manhã fria de São Paulo. Lembrei desse texto que li em uma prova. Muito bom e reflexivo, vale a pena ler.

De quem são os meninos de rua?

  Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no
meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui
logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava
pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.
  Talvez não fosse um Menino De Família, mas
também não era um Menino De Rua. É assim que a
gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido
com tênis da moda e camiseta de marca, que usa
relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por
um Menino De Rua. Menino De Rua é aquele que
quando a gente passa perto segura a bolsa com força
porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão.
  Ouvindo essas expressões tem-se a impressão
de que as coisas se passam muito naturalmente,
uns nascendo De Família, outros nascendo De Rua.
Como se a rua, e não uma família, não um pai e uma
mãe, ou mesmo apenas uma mãe os tivesse gerado,
sendo eles filhos diretos dos paralelepípedos e das
calçadas, diferentes, portanto, das outras crianças,
e excluídos das preocupações que temos com elas.
É por isso, talvez, que, se vemos uma criança bem-
-vestida chorando sozinha num shopping center ou
num supermercado, logo nos acercamos protetores,
perguntando se está perdida, ou precisando de alguma
coisa. Mas, se vemos uma criança maltrapilha
chorando num sinal com uma caixa de chicletes na
mão, engrenamos a primeira no carro e nos afastamos
pensando vagamente no seu abandono.
  Na verdade, não existem meninos DE rua. Existem
meninos NA rua. E toda vez que um menino está
NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não
vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos
no mundo, durante muitos anos também são postos
onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na
rua. E por quê.
[...]
  Quem leva nossas crianças ao abandono?
Quando dizemos “crianças abandonadas”, subentendemos
que foram abandonadas pela família, pelos
pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o problema
ao âmbito familiar, de uma família gigantesca
e generalizada, à qual não pertencemos e com a qual
não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa
consciência, enquanto tratamos, isso sim, de cuidar
amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles
que “nos pertencem”.
  Mas, embora uma criança possa ser abandonada
pelos pais, ou duas ou dez crianças possam ser
abandonadas pela família, 7 milhões de crianças só
podem ser abandonadas pela coletividade. Até recentemente,
tínhamos o direito de atribuir esse abandono
ao governo, e responsabilizá-lo. Mas, em tempos
de Nova República*, quando queremos que os
cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas
passar adiante a responsabilidade.

COLASANTI, Marina. A casa das palavras. São Paulo:
Ática, 2002. Adaptado.
* Nova República: termo usado à época em que a crônica foi escrita
(1986) para designar o Brasil no período após o fi m do regime militar.